Castelo de Paiva é este nosso concelho, que mulheres e homens, familiares nossos mais longínquos ou mais próximos, construíram ao longo da sua história secular, com arrojo e verdadeiro heroísmo, desbravando terras, rompendo caminhos, navegando os rios, explorando o subsolo, erguendo pedra sobre pedra o património que desfrutamos. Mulheres e homens que nos legaram valores, que criaram e transmitiram saber, que ultrapassaram dificuldades com unidade e determinação, que foram exemplo de esperança e de dignidade humana.
A todos eles dedico a minha gratidão e respeito, que estendo também às mulheres e homens de agora, que aqui, da mesma forma abnegada e digna de louvor, ajudam a construir a comunidade paivense que hoje somos.
Saúdo os nossos emigrantes, filhos desta terra e os que deles descendem, que partiram para França, Alemanha, Brasil, e tantos outros lugares do Mundo, levando consigo apenas esperança, ousadia e coragem, e que se tornaram no exemplo de perseverança e de sucesso que queremos seguir.
Saúdo também os tantos e tantos paivenses que aqui nasceram, mas que vivem hoje espalhados por todos os cantos de Portugal, que sofreram, e ainda sofrem, na alma e no corpo, na busca da realização dos seus ideais, na procura de um projecto ou de melhores condições de vida, e que muito têm contribuído para o desenvolvimento socioeconómico das terras que os acolheram.
A todos exorto a que não esqueçam esta sua terra, a que contribuam, por qualquer forma, para o sucesso do seu concelho, e a que se esforcem por transmitir aos seus filhos e netos o testemunho das suas origens, o orgulho de terem nascido em Castelo de Paiva.
Neste período de dificuldades saibamos seguir os seus exemplos, enfrentando, com ânimo, arte e esperança, os obstáculos e contrariedades que nos esperam, numa vontade forte de construir um Futuro cada vez melhor e mais digno.
Castelo de Paiva enfrenta uma situação muito difícil, porventura a maior crise social das últimas três décadas.
A essas dificuldades se alia a gravíssima e preocupante condição financeira do Município, cuja verdadeira dimensão ainda se está a apurar. Esses condicionalismos herdados, o grande volume de encargos com compromissos assumidos e não pagos, obrigar-nos-ão a apresentar de forma contida e responsável o que efectivamente pretendemos para o Concelho.
Mas tal não será de todo uma barreira intransponível ao trabalho que queremos desenvolver. Poderá ser ultrapassada com ideias criativas e inovadoras, comportáveis pelo orçamento municipal. Contornar as dificuldades, com habilidade e inteligência, será a alternativa à falta de meios com que nos vamos debater.
Contamos com a solidariedade dos paivenses, em geral, para, com imaginação, empenho, talento e muito trabalho, levar de vencida os obstáculos e as dificuldades que se esperam, e implementar o projecto que foi sufragado e que servirá todos e particularmente o concelho.
Para isso, esperamos da Assembleia Municipal, das Juntas de Freguesia e dos autarcas em geral, uma participação activa e responsável, imprescindível na acção de ultrapassar as sérias dificuldades em que o Município nos foi deixado. As circunstâncias exigem que ponham a defesa dos superiores interesses do concelho acima de tudo.
Acreditamos convictamente nas potencialidades de Castelo de Paiva, na sua capacidade empreendedora e solidária, num objectivo de futuro baseado em princípios de sustentabilidade, que permita às gerações vindouras aqui encontrar condições de vida saudável e de desenvolvimento.
Para este desafio contaremos também com as forças vivas do concelho, com todas as instituições, IPSS, associações culturais, recreativas e desportivas, com os movimentos e instituições religiosas, nomeadamente com a igreja católica, com as escolas, com os empresários, comerciantes, agricultores e profissionais liberais, com todos os que de forma directa e indirecta desenvolvem a sua acção neste concelho.

(Gonçalo Rocha)